sábado, 27 de abril de 2013

"Diário da nossa paixão" - parte VI

De facto uma pessoa não consegue estar feliz por muito tempo, há sempre algo que estraga tudo, há sempre uma pedra no meio do caminho que não nos deixa avançar, há sempre algo que nos impede, algo que nos arranca a felicidade como se nunca fossemos donos dela, como se não tivéssemos direito a ser felizes uma vez na vida. Sinto-me como se tivesse subido seis andares para a felicidade e caído sete.
Hoje decidi sair de casa, sair da rotina e passear um pouco pela cidade. Depois de uma calma viagem de comboio, cheguei à estação que tinha como destino e encontrei uma amiga à minha espera tal como tinha combinado. Decidimos andar um bocado enquanto conversávamos, há sempre coisas para contar.
Tudo estava a correr bem, até que desci os tais sete andares, afastando-me de toda a felicidade que tinha. Lá estava Ele, bonito como sempre, com aquela expressão animada, com aquele olhar tranquilizante. A vontade que tinha de ir ter com ele e de o abraçar era enorme, mas não podia. Sei que não temos nada um com o outro mas depois das nossas conversas, pensei que estivéssemos a criar algo entre ambos, mas pelos vistos era uma mera ilusão da minha parte. Ele não estava sozinho, uma rapariga acompanhava-o. Estavam ambos muito divertidos, a falar e a trocarem pequenas brincadeiras entre eles, aparentavam ter uma boa relação. Pedi à minha amiga para sairmos dali antes que eles nos vissem, não queria passar pela vergonha de ser a rapariga que se iludiu e que pensou que ele estaria interessado.
Agora estou em casa, ainda não sei ao certo o que pensar do que se passou, apetece-me chorar mas ao mesmo tempo sinto-me parva por me ter iludido com algo assim. Se calhar estou a exagerar, pois nem sei quem era aquela bonita rapariga que estava com Ele, mas depois de os ver juntos, com tanta cumplicidade, o que haveria de ficar a penar? Se são só amigos, digo desde já que parecem mais que isso. Ele não me disse nada hoje, o que acho normal, visto que esteve com ela... Também não vou dizer nada, preciso de me afastar disto, dormir para esquecer tudo por momentos. Amanhã falo com ele e resolvo tudo, mas agora a cama chama por mim.

(texto fictício)

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