sábado, 13 de abril de 2013

"Diário da Nossa Paixão" - I

Eram exactamente sete horas da  manhã, o despertador tocou. Acordei assustada a pensar que tinha adormecido, porém olhei para o relógio e fiquei aliviada por ver que afinal ainda estava dentro do tempo, e na verdade ainda podia ficar na cama mais cinco minutos que não faria diferença. Depois de muito esforço para me arrastar para fora da cama, decidi despachar-me e tentar chegar a horas à primeira aula da manhã. Não demorei muito a perceber que ia chegar novamente atrasada, fiquei aborrecida. Durante o caminho quase que adormecia encostada ao vidro do carro, infelizmente a música do rádio e os altos e baixos da estrada mantinham-me acordada. Por entre uma tentativa falhada de dormir mais qualquer coisa surgiam-me alguns pensamentos. Ele não me saía da cabeça, era incrível como cada uma das suas palavras me ficavam gravadas na memória, construindo assim diálogos imaginários, conversas improváveis, momentos inexistentes... Enfim, tudo fruto da minha imaginação que nem sequer poupava nos pormenores de uma relação emotiva e super desenvolvida. Tive uma quebra de tempo na minha cabeça, não me apercebi que tinha chegado à escola, saí do carro apressada e corri para a aula.
Lá estava eu, a desenhar no caderno enquanto a professora explicava entusiasmada um novo tópico da matéria. A minha atenção à aula era pouca, quase nula, felizmente não tive de responder a nada sobre a matéria, pois não seria capaz de dizer uma única coisa que tivesse sido dada naquela aula. A minha cabeça estava noutro lugar, só queria saber se estava tudo bem, com ele, nada mais. Saí da aula envolvida nos meus pensamentos profundos, nem me apercebi de que alguém esperava por mim. Olhei para trás após ouvir chamar pelo meu nome, num tom alto mas calmo. Era ele. O meu mundo estava prestes explodir de felicidade e nervosismo, por fora aparentava imensa tranquilidade mas por dentro, era um turbilhão de emoções prestes a saírem cá para fora. Nunca em momento algum imaginei ser possível ele estar ali, a chamar por mim. Falámos durante algum tempo, ele quis explicar-me certas coisas que tinham acontecido, uns mal-entendidos que tinham causado uma má impressão dele. Depois de tudo esclarecido ficámos bem mas não voltámos a falar o resto do dia. Fiquei super feliz por ele ter vindo falar comigo, por se ter preocupado, para tentar esclarecer as coisas e garantir que tudo ficava bem. Obviamente fiquei super feliz, o meu dia tinha melhorado bastante, porém continuei com os meus pensamentos de que apesar de ter falado com ele, não deveria criar expectativas em relação ao que quer que fosse, pois seria mau se nada acontecesse e eu sofresse sem motivo aparente, por isso deixei de fazer filmes na minha cabeça e segui para casa pois as aulas já tinham terminado.
A viagem para casa pareceu interminável, mas finalmente cheguei. Fiz o que tinha a fazer para encerrar o meu dia  e deitei-me. Fiquei algum tempo a pensar na conversa que tinha tido à tarde e a dizer a mim mesma que tinha de parar com as imaginações acerca do assunto. Parecia uma missão quase impossível não pensar em tudo o que se estava a passar, mas ia tentar a todo o custo. Acabei por adormecer.

(texto fictício)

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