segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

tempo

O dia já ia a meio, o sol brilhava com pouca intensidade e as nuvens não pareciam querer acordar. Eu caminhava lentamente por entre as almas terrestres que faziam a sua vida, uns com mais pressa que outros mas todos a seu ritmo. Aquele dia estava a ser calmo para mim, por isso deixei-me ir com a brisa do vento e deslizei pela calçada que preenchia o chão daquela rua onde me encontrava. Calmamente, fui contornando os obstáculos que o caminho me colocava, nada de especial, uns carros, uns postes, um ou outro banco de pedra, algumas pessoas, por vezes mudanças de passeio, nada de especial como já disse. Estava com uma rota marcada, tinha um ponto de encontro no qual deveria comparecer dentro de algum tempo, tempo esse que era indeterminado.
À uns tempos atrás dei especial importância ao ambiente dentro do comboio (esse é um texto mais antigo), hoje, dei importância a uma mera rua na qual passo imensas vezes porém sempre com atenção noutras coisas, ou melhor, sem atenção a quase nada. Hoje dei atenção ao tempo. Ao tempo? Perguntam vocês muito surpreendidos ou simplesmente curiosos com o tema. Sim ao tempo. Dei importância à quantidade de vezes que olhei para o relógio apenas por olhar, apenas para confirmar as horas que já sabia e que já tinha verificado um milhão de vezes. Irónicamente falando, estava a adorar aquela viagem, ali a caminhar sem companhia, apenas a observar tudo à minha volta. Não digo que não seja bom andar sozinho, porém torna-se aborrecido, não há conversas, não traca de ideias, sei lá, é aborrecido.
Concluindo, por vezes ando tão apressada que não dou pelos minutos passarem, porém eles voam e desaparecem por entre as linhas do tempo que precorrem toda esta vida. Outras vezes, estou tão atenta a esse tempo que por instantes parece que consigo reter uns minutos e fazer com que tudo pare.

"O tempo pergunta ao tempo quanto tempo o tempo tem, e o tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo tempo tem"

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