domingo, 8 de janeiro de 2012

Jane, sonho ou realidade?

   O final da tarde estava frio, já era quase noite, porém ainda havia uma réstia de luz. Jane caminhava pela calçada molhada pelo orvalho da noite. Os seus passos eram rápidos e desordenados, parecia que não tinham rumo. Sozinha, Jane procurava o caminho mais rápido para chegar a casa. O autocarro tinha-a deixado um pouco longe do sítio onde era habitual.
   A cada passo que dava sentia que algo a seguia e isso deixava-a num estado desesperante. Ofuscada pelas luzes dos candeeiros de rua, caminhava com a cabeça para baixo, contando as pedras da calçada e vendo cada vez mais o tempo a parar. Um minuto parecia-lhe uma hora, um metro parecia-lhe um quilómetro e um inofensivo gato parecia-lhe um tigre pronto a atacá-la na escuridão da rua. Nunca se sentira tão estranha e tão assustada como naquele momento. Parecia que a hora de entrar em casa e ficar segura nunca mais chegava. Uma pessoa aproximando-se dela olhou-a nos olhos e murmurou uma espécie de "Boa noite", ela retribuiu com umas palavras tremidas pelo medo que lhe invadia o corpo. 
   O caminho estava quase no fim, só faltava uma escadaria, rodeada de árvores. Era um cenário um tanto ou quanto assustador pois sem luz era complicado visualizar algum perigo que pudesse surgir. Jane decidiu caminhar num modo mais acelerado, para chegar a casa e terminar aquela viagem o mais rápido possível. Apesar de ser complicado, Jane chegou ao fim da escadaria. O seu coração batia mais rápido que a corrida de uma chita. 
   Pegou nas chaves de casa, abriu a porta e entrou à velocidade da luz. Parou para respirar fundo. Sentindo-se mais calma, caminhou suavemente até ao quarto, pousou a mochila e coloco sobre a secretária as chaves de casa.Deitando-se sobre a cama, Jane deixou-se adormecer.
   O despertador tocou, eram dez da manhã de um sábado quente e solarengo. Num ápice Jane levantou-se e correu para a janela, sentia-se confusa com tudo o que acontecera. Teria ela sonhado com toda aquela viagem  assustadora ou passado mesmo por aquele momento? O que é certo é que a mochila estava arrumada, a chave no chaveiro e Jane tinha o pijama vestido. Como poderia aquilo ser um sonho se o que ela sentira parecia tão real? Jane questionava o assunto, porém achou que um mistério daqueles daria talvez uma boa história para contar mais tarde, quem sabe aos seus filhos ou netos. 

Sem comentários :

Enviar um comentário