segunda-feira, 14 de novembro de 2011

I

Um dia passou e ela mantinha-se dentro do seu quarto, não queria sair nem estar com ninguém. Queria ficar ali, sem que ninguém a incomoda-se e sem preocupações. Ela era uma rapariga nova, devia ter os seus dezasseis anos se tanto, era muito calma, muito simples e discreta. Passava os dias a estudar mesmo que já soubesse tudo de cor. Os amigos que tinha eram poucos, ou nenhuns e sempre que saía de casa era ignorada pelo mundo. Passava junto de uma loja, olhava a sua imagem reflectida na montra e continha a vontade de chorar. Tinha criado um sentimento de raiva e frustração em relação à sua imagem. Sempre que se olhava ao espelho via-se como aquela rapariga que nunca iria conseguir ter nada do que queria, aquela que não passava de um obstáculo na vida dos pais e de todos os que a rodeavam. Os pais davam-lhe tudo, tudo o que eles achavam que a faria feliz, mas apesar disso não viam que ela não precisava de bens materiais, mas sim de um pouco de atenção. A rapariga sentia-se como se fosse o único ser-humano deste mundo, sentia-se como um objecto na vida das pessoas a quem tratava por pais, negava a sua existência e implorava todas as noites para não acordar no dia seguinte, porém acordava sempre. A tristeza e o desespero invadiam-lhe o corpo a cada dia que passava e para ela continuar com esta vida não era opção.

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